Engenheiro Agrônomo, administrador, professor universitário, bombeiro civil, visionário e atuante na sociedade. O entrevistado da semana é o Mestre Vinícius Marca Marcelino de Lima.

Ascom: Como nasceu esse amor pelas agrárias?

Na verdade, as ciências agrárias entraram na minha vida muito antes de eu ser bombeiro. Eu tive uma oportunidade e estava meio indeciso na época, eu sabia que queria algum curso na área das agrárias, ingressei e com o tempo fui me apaixonando pelas matérias, me apegando, aprendendo a observar a natureza, cada elemento que faz parte de um todo, a agronomia indica tudo isso ao mesmo tempo. É a profissão mais antiga do mundo desde a época que as pessoas deixaram de ser nômades. Então, a natureza, a fisiologia, tudo fez com que eu me apaixonasse por essa profissão. Costumo dizer que tenho as duas melhores profissões do mundo, professor e bombeiro.

Ascom: Recentemente, o presidente Jair Bolsonaro fechou um acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, como isso pode beneficiar as relações com o agronegócio?

Mato grosso é um Estado que tem se desenvolvido muito, inclusive é um dos assuntos que nós abordamos dentro de sala de aula, porque estamos formando profissionais para o mercado de trabalho. A maioria dos nossos alunos são da região do Vale do Araguaia. Atualmente, Mato Grosso está em vias de abrir uma usina de etanol a base de milho que será a maior do Brasil e da América Latina. O agronegócio do Mato Grosso tem crescido muito e explorado outras tecnologias, estamos conseguindo almejar níveis altos dentro do agronegócio e o Brasil sai em vantagem em relação aos Estados Unidos. Nós temos a safra e a safrinha, conseguimos produzir em menos áreas em relação aos outros países, e ainda exportar este tipo de alimento e subprodutos de grãos.

Ascom: Então você avalia positivamente este acordo?

Com certeza, isso só tem crescido e vai somar para o comércio brasileiro e o crescimento da nossa região que é tão forte, principalmente na produção de soja e milho. Quanto mais nós tivermos o livre comércio mais vamos conseguir exportar nossos produtos.

Ascom: O agro é tech?

Com certeza, eu concordo com essa expressão.

Ascom: Como você avalia o uso das tecnologias em relação ao trabalho do homem do campo?

Na verdade, essas tecnologias elas vieram para acrescentar na produção, para otimizar o tempo. Com certeza elas são tecnologias que somam muito principalmente na questão de monitoramento. A lavoura precisa ser constantemente monitorada, quanto mais rápido você conseguir fazer esse processo para entrar com reforço ou com uma ação mais chance de sucesso. É claro que devemos conhecer primeiro os princípios básicos, colocar a tecnologia como incremento para otimizar aquilo que foi aprendido como por exemplo adubação de solos, controle de plantas daninhas e controle de pragas.

Ascom: Em Barra do Garças nós temos um problema muito grande em relação as queimadas, como você tem trabalhado isso tanto no ambiente acadêmico quanto no Corpo de Bombeiros?

A queimada é um problema muito grande que atinge todos, principalmente a população em relação à saúde, na questão de riscos temos os animais, as residências e a perda de patrimônio natural. Infelizmente o que a gente tem mais visto, não é o homem do campo, mas o homem urbano. Ele não tem o asseio com seus lotes. As queimadas urbanas têm impacto gigante nessa questão e o homem do campo também, principalmente aqueles que são omissos. Hoje o agricultor busca ter a vegetação, porque sabe que é importante para o solo, então ele não queima. Mas há as pessoas que tem uma mentalidade antiga, pouco técnica e ainda promove queimadas. Tenho certeza que meus alunos jamais vão pensar em queimar a vegetação da fazenda para poder produzir alguma coisa. Não é uma técnica viável nem para o solo, nem para o bioma.

 

Ascom: Como pensar a agricultura familiar no estado de Mato Grosso que tem riquezas provenientes do agronegócio em expansão?

A agricultura familiar é um caso bem específico (risos), é importante porque dá acesso a muitas pessoas de baixa renda, além disso é importante para o Brasil pela produção. Os grandes produtores têm foco em exportação, soja, milho e outros grãos. Tomate, mandioca e outros alimentos é possível produzir em pequenas áreas e uma mão de obra mais específica. A agricultura familiar supre isso tanto que a maioria dos alimentos que temos no mercado hoje é proveniente da agricultura familiar. É necessário que tenhamos agricultura familiar para a produção de alimentos principalmente em escala regional. Falta apoio técnico a eles, uma consultoria de qualidade. Eu não concordo com a atual forma de extensão rural que existe porque não chega de fato ao pequeno produtor rural sendo assim ineficiente.