Barra-garcense de alma e coração, coordenadora do Curso de Direito do UNIVAR, professora, advogada engajada com as questões sociais e feministas, alegre e comunicativa.  A nossa entrevistada da semana é a Mestre Dandara Christine Alves de Amorim.

 

 

Ascom: Como foi o seu primeiro contato com o Direito?

O Direito entrou na minha vida de uma forma inusitada. Sempre gostei de escrever muito quando criança e adolescente. Aos 11 anos meu pai me obrigou a ler Dom Casmurro. Ele sempre me perguntava o que eu havia entendido e minha resposta sendo “Nada”. Ele repetia em uníssono “leia de novo”, logo, estimulava a interpretação de textos, pois assim eu saberia escrever. Eu queria ser jornalista, queria escrever, pois esse é um dom que tenho. Mas, prestei vestibular para Direito e passei. E diante de inúmeras opções na carreira do operador do direito, escolhi a carreira de docente universitária.

Ascom: Como você avalia o mercado de trabalho para o bacharel em Direito, para a advocacia e à docência, sendo mulher?

Para os bacharéis em direito qualificado o mercado está de portas abertas, já que o direito vive em constantes mudanças, temos áreas que precisam ser mais trabalhadas e exploradas, como por exemplo: o Direito à saúde, Direito Cibernético, direito da mulher. Em relação à docência em Direito, há uma carência de profissionais mestres e doutores em nossa Região. É algo que precisa ser desenvolvido no Estado, já que somente a UFMT tem mestrado em Direito. Agora ser mulher em uma sociedade machista é difícil, ainda mais quando se é jovem no mercado de trabalho. O preconceito é inevitável. Tive que administrar essa questão.

Ascom: No Brasil, temos mais faculdade de Direito do que China, Estados Unidos e Europa juntos. Quais são os diferenciais do UNIVAR em relação às outras?

O UNIVAR tem inúmeros diferenciais. Primeiro em relação ao corpo docente. O nosso quadro é formado por mestres e doutores. Temos a questão do social latente, como o projeto Reeducando e bolsas de estudos para indígenas que o Univar disponibiliza aos acadêmicos. Além disso, existe uma didática diferente, baseada na aproximação para que os alunos saibam que aqui é a segunda casa deles. Nós sabemos que os índices de depressão e ansiedade em universitários é grande. Por isso nos aproximamos para demonstrar apoio durante esse período.

Ascom: O curso do UNIVAR de Direito já nasce grande?

Com toda certeza, o curso iniciou dentro de um Centro Universitário. Na verdade, no primeiro Centro Universitário do Vale do Araguaia. Segundo, temos 100% do corpo docente formado por mestres e doutores, terceiro, inovamos as nossas atividades com grupos de estudos, e por último, o fato de nós termos esse contato humanizado e acolhedor.

Ascom: Ao longo dos anos, tivemos uma evolução do Estado e do Direito. Como essas evoluções são compreendidas por você num aspecto geral?

Eu avalio de forma benéfica, já que atualmente podemos perceber que todos os grupos e classes sociais tem seus direitos resguardados e eles tem noção desse direito. A partir do momento que temos legislações que protegem os grupos LGBTQI+, crianças, idosos, indígenas, adolescentes e mulheres, nós estamos presenciando a evolução do direito, bem como do Estado.

Ascom: Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou a criminalização da LGBTQI+fobia. Qual a sua opinião sobre esse assunto?

Em relação a postura do STF em criminalizar é positiva, já que é uma maneira de igualar esse grupo de pessoas para uma sociedade menos violenta. O índice de violência contra a população LGBTQI+ aponta para números expressivos. Isso vai fazer com que se sintam protegidos, mesmo caso das mulheres.

Ascom: Como você avalia a Lei Maria da Penha?

Nós tivemos inúmeros avanços, principalmente na sociedade machista que vivemos, mas as mudanças não devem partir tão somente da lei. Devemos criar políticas públicas para a conscientização em relação a violência doméstica contra a mulher que comece já no ensino fundamental.

Ascom: A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) recentemente decidiu não aceitar a inscrição de acusados de violência contra mulheres, idosos, crianças e outros grupos minoritários. Você concorda?

Sim. E agora não somente para mulheres, mas a população LGBTQI+ também. Acho benéfico porque o próprio Estatuto da OAB diz que o advogado precisa ter uma idoneidade moral e ela reflete em relação a violência. É uma forma de igualar as minorias.

Ascom: Você é uma mulher feminista?

Sim, com toda certeza (risos). Eu tenho isso “para a” vida sabe? Eu viajo sozinha para fora do país, eu pego a estrada de carro sozinha. Se eu cozinho, o meu parceiro lava as louças. As contas são divididas.