Por Giovanna Rosti Vicentine

 

No dia 29 de maio é comemorado o Dia Mundial sem Tabaco. Para alertar a população acerca dos riscos à saúde que o consumo de tabaco pode causar, convidamos as professoras do curso de Enfermagem da Univar, Carla Roberta e Cinthya Canuto.

Levando em consideração que o tabagismo é a dependência psicológica e física do tabaco, levantamos alguns dados obtidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).  A substância que está presente em produtos como cigarros, narguilés e charutos é responsável por mais de 7 milhões de mortes por ano no mundo. Além disso é considerada a principal causa de óbito evitável. A OMS estima que 2,8 bilhões de pessoas no mundo sejam fumantes.

São muitas as doenças que o tabagismo pode ocasionar e/ou agravar. Segundo a professora Cinthya dentre estas doenças podemos citar como as mais comuns, o infarto do miocárdio, vários tipos de câncer (pulmão, na boca, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, rim, bexiga, colo de útero e leucemia) e doenças vasculares (entre elas, derrame cerebral).

Ainda há outras patologias que podem ter seu risco de ocorrência aumentado com o uso de tabaco: hipertensão, aneurismas arteriais, úlcera do aparelho digestivo, infecções respiratórias, trombose vascular, osteoporose, catarata, impotência sexual no homem, infertilidade na mulher, menopausa precoce, complicações na gravidez, entre outras.

Segundo a docente o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito para os fumantes. Para isso é necessário que o paciente procure o posto de saúde mais próximo de sua residência ou a Secretaria de Saúde do seu município para informações sobre locais e horários de tratamento. Você ainda poderá consultar a Coordenação de Controle do Tabagismo na Secretaria Estadual de Saúde ou entrar em contato com o Disque Saúde 136.

Vale também lembrar que o hábito de fumar está amplamente ligado ao psicológico do paciente, as substâncias presentes nos cigarros são psicoativas, ou seja, atua no sistema nervoso central, alterando o humor, o comportamento, a percepção. Ao optar por parar de fumar, a pessoa possivelmente sofrerá de dependência física. Sintomas de abstinência como irritabilidade, angústia, aumento de apetite, ansiedade, dificuldade de concentração e até mesmo depressão.

Trazemos algumas dicas que podem ser importantes para àqueles que buscam cessar o hábito de fumar. Esperamos que elas os ajudem, caso você seja um fumante, ou se não, possa ajudar alguém que você conheça e quer abandonar o vício.

  • Tratamento psicológico

Na hora que se decide parar de fumar é importante que o indivíduo tenha consciência que fumar vai além da dependência física, ele é um hábito. Desta forma, trabalhar a mente é fundamental para que este hábito seja substituído por outros que sejam saudáveis. Tratamentos psicológicos são ofertados gratuitamente pela rede pública de saúde e também pelo curso de Psicologia da Univar. Para mais informações ligue (66) 3402-4900 ou faça-nos uma visita e agende seu horário.

  • Reposição de nicotina

A interrupção repentina do hábito, pode causar sintomas indesejáveis de forma agressiva. Sendo assim, pode-se oferecer pequenas quantidades de nicotina sem o cigarro através de adesivos de pele, gomas de mascar (pastilha elástica) ou spray nasal. Acaba sendo mais fácil e eficaz abandonar o hábito e depois fazer reposições de nicotina do que cortá-la de uma só vez.

  • Intervenção medicamentosa

A exemplo de medicamentos que auxiliam no tratamento, podemos citar a bupropiona que é de cunho antidepressivo, muito eficaz no controle da dependência da nicotina e recomendado no combate aos sintomas psicoativos decorrentes da interrupção do hábito de fumar.

  • Não utilizar cigarros eletrônicos

Apesar de serem cada vez mais populares, os cigarros eletrônicos não são considerados uma boa opção para quem deseja parar de fumar. Primeiro porque eles não parecem ser seguros, ocasionando explosões recorrentes durante seu funcionamento; segundo porque estudos mostram que 77% dos usuários do cigarro eletrônico permanecem fumando os cigarros convencionais.

  • Ao sentir vontade de fumar

Quando surgir aquela fissura ocasionada pela falta do cigarro, é importante saber que estes momentos não duram mais que cinco minutos. Nesses momentos, para ajudar, você poderá chupar gelo, escovar os dentes, beber água gelada ou comer uma fruta. Procure se acalmar e entender que momentos difíceis sempre vão ocorrer e fumar não vai resolver seus problemas.

  •  Em casos de estresse e depressão

Mantenha as mãos ocupadas com um elástico, pedaço de papel, rabisque alguma coisa ou manuseie objetos pequenos. Não fique parado – converse com um amigo, faça algo diferente que distraia sua atenção. A prática de esportes, fazer uma caminhada ouvindo uma boa música, separar alguns minutos do dia para realizar meditações podem ajudar muito.

  •  Buscar fontes de prazer saudáveis

O cigarro é uma falsa fonte de prazer, portanto, ao abandonar este hábito procure incluir ou retomar atividades que sejam prazerosas na sua rotina como artesanato, culinária, dança, leitura, jardinagem, yoga e outras. A acupuntura também pode ser uma grande aliada neste momento, busque um profissional competente.

A professora e enfermeira Carla Roberta finaliza a entrevista nos lembrando que parar de fumar sempre vale a pena em qualquer momento, mesmo se a pessoa já estiver com alguma doença, pois a qualidade de vida melhora muito e as chances de cura são muito maiores sem uso de tabaco.

Cuide-se, após parar de fumar uma simples tragada pode levar você a uma recaída e a perda de todo esforço e evolução já adquirido. Evitando o primeiro cigarro, você poderá evitar também uma vida doente.