Graduado em Farmácia pela Universidade Federal de Mato Grosso, o professor Eduardo Afonso da Silva Junior é mestre e doutor pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto-USP. Na mesma instituição, realizou recentemente dois pós-doutorados, cujas pesquisas são de grande relevância social. Desde março de 2019 atua como docente no Centro Universitário do Vale do Araguaia – UNIVAR.

O simpático professor revelou-nos que a pesquisa de seu doutorado esteve amplamente ligada à descoberta de novos antibióticos em bactérias simbiontes de formigas cortadeiras. Diante do surgimento de bactérias resistentes aos antibióticos já descobertos, as superbactérias ou bactérias multirresistentes são um dos principais problemas de saúde mundial na atualidade. Realizou também, estágio de doutorado sanduíche na Harvard Medical School, Boston – EUA, onde aprofundou os estudos com isolamento de antibióticos, sequenciamento e análise de genomas bacterianos.

Eduardo explicou que as formigas cortadeiras, conhecidas como saúvas, estão associadas com bactérias que produzem antibióticos para proteger as colônias desses insetos. Os antibióticos produzidos pelas bactérias simbiontes das formigas podem ser úteis no desenvolvimento de novos fármacos, uma vez que são ativos contra micro-organismos patogênicos e, ao mesmo tempo, devem ser seguros para as formigas. Como a simbiose entre as formigas cortadeiras e as bactérias foi pouco explorada quimicamente, esses ambientes podem ser fontes de novos antibióticos.

O primeiro pós-doutorado consistiu em investigar os produtos naturais envolvidos nas interações entre plantas e abelhas sem ferrão. “As abelhas nativas ou abelhas sem ferrão já viviam no Brasil muito antes das espécies estrangeiras serem introduzidas em nosso país, e conhecemos muito pouco sobre a ecologia química desses polinizadores”, explica Eduardo. Também conhecidas como “melíponas”, elas além de povoarem os diversos biomas do território brasileiro e se alimentarem do pólen e néctar que coletam nas flores, possuem papel fundamental na conservação da fauna e flora do país. Segundo a Agência Pública e Repórter Brasil no ano de 2019, em três meses, meio bilhão de abelhas foram encontradas mortas no Brasil, o que, consequentemente, tem grande impacto em nosso país. No segundo pós-doutorado, o professor Eduardo estudou o impacto do rompimento da barragem da Samarco no metabolismo de plantas da bacia do rio Doce que foram atingidas pela avalanche de rejeitos.

O professor Dr. Eduardo, reverbera que as pesquisas realizadas só foram possíveis devido aos esforços de outros pesquisadores que o auxiliaram e o orientaram nessa jornada científica. Atualmente, pretende somar com os grupos de pesquisa do UNIVAR. Orientando projetos e estudos inovadores juntamente com os acadêmicos, cujas linhas de pesquisas são inéditas na região.